O Brasil como capital mundial da Ressonância Cardiovascular
- 3 de mar.
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Entre os dias 4 e 7 de fevereiro, o Rio de Janeiro tornou-se o centro do mundo em Ressonância Magnética Cardiovascular (RMC). O 29º Congresso da SCMR foi mais do que um encontro científico, foi um acontecimento histórico para a imagem cardiovascular e para o Brasil.
Receber o maior congresso de RMC do mundo em nosso país, às vésperas do Carnaval, teve um significado simbólico profundo: mostramos ao mundo que o Brasil é capaz de unir excelência científica, organização impecável e hospitalidade vibrante.
Foram 69 países representados reunindo pesquisadores, médicos, técnicos, físicos, engenheiros e líderes globais da imagem cardiovascular. A diversidade de sotaques, culturas e perspectivas transformou o congresso em um verdadeiro laboratório de colaboração internacional.
A programação científica foi de altíssimo nível. Avançamos em discussões sobre mapeamento paramétrico, inflamação miocárdica, cardiomiopatias infiltrativas, inteligência artificial aplicada à prática clínica, integração multimodal dos métodos diagnósticos com a cardiologia clínica, além de debates profundos sobre prognóstico e tomada de decisão guiada por imagem.
Mais do que tecnologia, o congresso reafirmou o papel da RMC como ferramenta estratégica na medicina contemporânea: precisa, reprodutível, centrada no paciente e cada vez mais integrada à jornada clínica.
O Brasil teve protagonismo expressivo. Para nós, do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DIC/SBC), foi motivo de imenso orgulho ver colegas brasileiros ocupando palcos internacionais com naturalidade, rigor científico e liderança.
Parabenizamos o esforço coletivo que tornou possível trazer este encontro global para a América Latina. Não foi apenas uma conquista institucional, foi o reconhecimento de décadas dedicadas à formação, pesquisa e cooperação internacional.
Mas talvez o verdadeiro legado do 29º SCMR não esteja apenas nas aulas magnas ou nos avanços tecnológicos apresentados.
Ele esteve nas conversas nos corredores. Nas discussões espontâneas após as sessões. Na troca generosa entre jovens pesquisadores e líderes consolidados. Na sensação de pertencimento a uma comunidade científica global.

Na cerimônia de encerramento, o Dr. Carlos Eduardo Rochitte, presidente do SCMR (Society of Cardiovascular Magnetic Resonance) até essa data, sintetizou o espírito do congresso com uma frase que permanecerá como uma inspiração para todos nós:
“Tecnologia é a ferramenta. Humanidade é o objetivo. Sim, a inteligência artificial nos ajudará — mas é a compaixão e a colaboração global que nos definirá.”
A minha mensagem final é que vivemos em uma era de algoritmos, mapas paramétricos e automação avançada. Mas o que se viu no Rio foi algo ainda mais poderoso: a ciência construída por pessoas, para pessoas.
O Rio sediou um congresso. A comunidade Brasileira de ressonância cardíaca construiu um legado.

Dra. Gabriela Liberato
Vice Presidente Ressonância Cardíaca (gestão 2026-2027)









